Número de PMs mortos no Rio cai e estatística caminha para ser a menor em 25 anos

2019-09-09T10:41:29-03:00setembro 9th, 2019|

O Rio teve, em 2019, 36 policiais militares mortos, o que representa uma média de quatro vítimas por mês. Caso a estatística se mantenha, o total de PMs assassinados no estado chegará a 48 no fim deste ano, o menor número desde 1994, quando a soma de casos começou a ser feita pela corporação. A redução se dá, também, em relação a 2018, quando 92 policiais foram mortos — número que já havia apresentado expressiva diminuição em relação a anos anteriores.

Do total de PMs mortos no Rio até a última sexta-feira, de acordo com dados da Polícia Militar, 17 estavam de folga no momento do crime, uma redução de 58% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 41 policiais foram assassinados no momento em que não estavam trabalhando. Nove estavam de serviço e dez são inativos.

O antropólogo e coronel da PM Robson Rodrigues aponta que um dos fatores que podem explicar a redução é a diminuição dos índices de violência. O total de roubos no estado, segundo números do Instituto de Segurança Pública do Rio, caiu 10% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2018. Em 2019, foram 125.392 casos, contra 139.971 no ano passado. Já os roubos a estabelecimentos comerciais diminuiu 24% no mesmo período. Este ano, foram 3.120 casos de janeiro a julho, e em 2018, 4.110.

— Na folga, os policiais morrem mais quando são reconhecidos ou reagem a assaltos. A própria redução da violência pode ter gerado diminuição nessas situações — pontua o coronel.

Fontes ouvidas pelo EXTRA também apontam outro fator envolvido: o aumento de policiais fazendo “horas extras” no Regime Adicional de Serviço (RAS), o que reduz o número de PMs em bicos “não oficiais”, principalmente fazendo a segurança de estabelecimentos comerciais.

O delegado Fernando Veloso, especialista em Segurança Pública, também acredita no impacto do RAS nos números, mas frisa que essa mudança ainda é recente, já que o aumento na remuneração e a regularização do pagamento das horas extras tem cerca de três meses. Ex-chefe de Polícia Civil, Veloso aponta outro fator para o atual cenário: para ele, muitos policiais têm evitado sair armados em seus momentos de folga, principalmente quando está na companhia da família, deixando de reagir quando são vítimas de criminosos.

— Tenho observado que a violência está modificando a rotina do agente de segurança. Ele está priorizando a própria segurança — analisa.

O coronel Robson Rodrigues frisa, ainda, que a redução nos números também pode estar atrelada à mudança nos protocolos da própria Polícia Militar, que passou a investir em cursos de capacitação de agentes no ano passado. Só em 2018, mais de 12 mil policiais passaram por um curso para capacitá-los sobre como agir na folga e no trajeto até o trabalho.

Em confrontos, redução foi de 50%

Até a última sexta-feira, de acordo com números da PM, nove policiais militares foram mortos este ano enquanto estavam trabalhando, uma média de uma vítima por mês. No mesmo período, em 2018, foram 18 vítimas, o que representa uma estimativa de dois a cada mês. A diminuição foi de 50%, um pouco abaixo da apresentada no número de policiais de folga.

A redução vai na contramão do cenário de aumento no número de operações policiais no estado e das mortes em confronto com a polícia, que chegou, em julho, ao seu maior número desde que o índice passou a ser computado, em 1998. Foram 194 autos de resistência – uma média de um a cada quatro horas, aproximadamente. No acumulado de janeiro a julho, já são 1.075 casos, outro recorde da série histórica.

O coronel Robson Rodrigues afirma que o maior investimento na PM, ainda reflexo da Intervenção Federal na Segurança Pública do estado, aliado à maior presença de policiais nas ruas, resulta na diminuição dos índices de violência e também contribui com a menor vitimização do policial em serviço.

O último PM morto no momento em que estava trabalhando foi o cabo Rafael dos Santos Neves, de 39 anos, atingido durante um confronto no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, na última terça-feira. Lotado na UPP Fazendinha, o PM foi baleado no peito durante um patrulhamento na comunidade. Outros dois policiais foram feridos na ocasião.

O delegado Fernando Veloso afirma que ainda é difícil fazer uma análise das causas dessa redução.

— Na prática, a diminuição foi de dois para um policial morto em serviço, por mês, se compararmos 2018 com 2019. Não vou dizer que é uma redução baixa, pois estamos falando de vidas. Mas não observo uma mudança na postura do policial e nem do criminoso que explique isso. Ainda é difícil fazer essa análise — afirma.

Enquanto caem os números de PMs em serviço e de folga, os inativos que foram vítimas da violência continuam, em 2019, no mesmo patamar que o ano passado. Este ano, dez policiais já aposentados foram mortos, contra nove em 2018.

 

Fonte: Jornal Extra Online

Link: https://extra.globo.com/casos-de-policia/numero-de-pms-mortos-no-rio-cai-estatistica-caminha-para-ser-menor-em-25-anos-23935638.html