SIMPÓSIO SOBRE VITIMIZAÇÃO DÁ DIMENSÃO NACIONAL A UM DOS MAIORES DESAFIOS DA POLÍCIA MILITAR

2019-06-04T14:37:44-03:00maio 16th, 2019|

O I Simpósio Nacional sobre Vitimização Policial, realizado durante três dias no Rio de Janeiro, superou as mais otimistas expectativas e representou um marco na luta de todas as polícias militares do país para vencer o desafio de reverter o quadro inaceitável de policiais mortos e feridos, que supera, ao longo de mais de 20 anos, qualquer estatística de guerra convencional.

Além da presença de autoridades na solenidade de abertura, como o Ministro da Justiça e Segurança Nacional, Sérgio Moro, e o Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o evento contou com a participação de 25 representantes das 27 Polícias Militares do país. Também marcaram presença representantes dos poderes Legislativo e Judiciário, gestores e empresários da área de segurança pública e privada. Ao todo, três mil pessoas inscreveram-se para o evento.

– Tenho certeza que a partir de agora não estaremos mais sozinho, como aconteceu em todos esses anos, acompanhando enterros e visitando nossos companheiros feridos e mutilados em hospitais. O nosso drama ganhou agora dimensão nacional e se disseminou por vários setores da sociedade – destacou o Coronel PM Fábio da Rocha Bastos Cajueiro, um dos idealizadores e realizadores do evento.

Também idealizadora e realizadora do Simpósio, a Coronel PM Viviane Duarte observa que o evento conseguiu dar visibilidade nacional a um problema gravíssimo.

– Esse desafio não está restrito ao Rio de Janeiro. Se espalhou por todo o país. Há estados da Federação, como o Pará, que tem registrado taxas de vitimização de policiais maiores do que as registradas no Rio – enfatiza a Coronel Viviane.

A cerimônia de abertura do Simpósio, na noite de 13 de maio, data oficial comemorativa dos 210 anos de fundação da Polícia Militar do Rio de Janeiro, foi uma mostra do sucesso que seria o evento. Com o auditório do Centro de Convenções SulAmérica lotado, o Secretário de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro, Coronel Rogério Figueredo de Lacerda, deu boas vindas às centenas de pessoas presentes com um breve pronunciamento.

– O evento é resultado de um esforço coletivo para reverter o cenário terrível que encontramos no cumprimento da nossa função. O objetivo é honrar nossos PMs, do Rio e do país, expondo este debate para o público. Vivemos um cenário de guerra — disse o Coronel Figueredo. Durante o discurso, lembrou que diminuiu o número de policiais mortos em ação no estado em comparação com 2018, mas não havia o que comemorar.

— Precisamos dar um fim nesse quadro inaceitável de vitimização. Ainda estamos muito distantes do cenário que desejamos e por isso intensificamos uma série de ações para vencer este desafio – disse ainda.

Em seguida, a plateia assistiu à estreia do documentário “Heróis do Rio de Janeiro”, que, de forma contundente e com importantes depoimentos, revelou histórias reais e desconhecidas da população sobre policiais militares do Rio vitimados em ação – homens e mulheres que trabalham num ambiente de guerra urbana, sofrem letalidades absurdas, com sequelas físicas e psíquicas gravíssimas.

Os discursos proferidos pelo Ministro Sérgio Moro e pelo Governador Wilson Witzel deram o tom da importância política do evento em âmbito nacional.

– Saibam que o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Governo Federal, do Presidente Jair Bolsonaro, estão do lado da Polícia Militar. Minha percepção é de que qualquer palavra, gesto, nada pode aumentar mais a honra que os próprios gestos de sacrifício individual, dos atos heroicos praticados por estes policiais. Que passemos agora a nos preocupar, não em agregar palavras a uma honra que é imutável, mas sim com o que podemos fazer a este respeito, para mudar esta situação — disse o Ministro da Justiça e Segurança Nacional.

O Governador Wilson Witzel enfatizou que o conhecimento dos policiais a respeito da realidade que enfrentam precisa ser valorizado.

– Quando assumimos o Estado do Rio, percebemos que algo precisava ser mudado. Tomamos uma decisão de dar autonomia à Polícia Militar. Porque como hoje formamos policiais, ao longo de anos de carreira, são estes policiais que têm a compreensão exata daquilo que deve ser feito. São eles que devem ter autonomia, sem interferência política para fazer o devido planejamento nas áreas que têm maior concentração de criminalidade – disse o Governador. Witzel emociou-se ao lembrar espisódios acompanhados por ele envolvendo policiais vitimados, como foi o caso do soldado Daniel Henrique Mariotti, baleado durante um patrulhamento na Linha Amarela no início deste ano.

Nos dois dias seguintes, 14 e 15 de maio, a organização do evento programou uma série de painéis com apresentação de temas inseridos no contexto da vitimização policial. Representantes das empresas patrocinadoras do Simpósio também proferiram palestras. O evento contou ainda com a contribuição fundamental de policiais vitimados pela violência. Foram depoimentos e apresentações que não só emocionaram o público presente, mas também serviram como condutor de uma reflexão mais profunda sobre o tema.

Entre as palestras proferidas, podemos destacar:

– Apresentação dos Estudos da Comissão de Análise da Vitimização Policial Militar no Estado do Rio de Janeiro e objetivos do Simpósio, do Coronel PM Fábio da Rocha Bastos Cajueiro;
– Narcoterrorismo no Brasil, do Coronel PM Mário Sérgio de Pinto Duarte;
– Legislação Penal Brasileira diante do Narcoterrorismo, do Juiz de Direito Alexandre Abrahão;
– Bandidolatria e Democídio, do Promotor de Justiça do Ministério Público do Rio Grande de Sul Leonardo Giardin, coautor do livro a respeito do tema;
– Lei Penal e Impunidade, do Procurador de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro Marcelo Rocha Monteiro;
– “A Polícia que mais morre é a Polícia que mais mata?”, do Major PM Leonardo Novo , autor de estudo sob esse tema;
– Apresentação dos Estudos da Comissão de Análise da Vitimização Policial Militar no Estado do Rio de Janeiro e objetivos do Simpósio, da Coronel PM Viviane Duarte;
– Saúde Mental na PMERJ, do Tenente Coronel PM Psicólogo Fernando Derenusson;
– Medicina de Guerra, da Tenente Coronel PM Médica Myriam Broitman; e
– E depois da Guerra?, da Subtenente PM Adinéa Trubat.

Alguns depoimentos sobre o evento:

“Estamos nos sentindo super úteis e verdadeiros heróis. Só quem é militar pode perceber o que estamos sentindo. Um companheiro de farda cadeirante de outro estado esteve aqui e se disse uma outra pessoa depois do evento. Chegou a pensar no suicídio. Agora, sabe que não está sozinho.”

“Além de proporcionar essa força psicológica de todos aqueles que ficaram com sequelas, o simpósio trouxe à tona uma discussão que a maioria costuma ignorar. Vivemos num ambiente de guerra. E o dia que o policial desistir de lutar a sociedade acaba.”

Cabo Raphael Cabral de Azevedo – perdeu uma das pernas ao ser atingido por granada lançada por criminosos na Vila Cruzeiro, no dia 11/01/2017

“ Durante esse simpósio, ficou mais uma vez demonstrado que os policiais militares do Rio de Janeiro são os mais corajosos do país. Em nenhum outro estado, os policiais enfrentam uma realidade tão complexa. Como cearense, tenho a honra de ter feito curso de especialização no Comando de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Esse simpósio é marco e certamente proporcionará subsídios para todos os gestores de segurança do país.”

Coronel Aginaldo de Oliveira – Comandante da Força Nacional Brasileira, corporação formada por policiais militares de todo o país.