Depuração interna

2018-01-23T15:22:47+00:00janeiro 23rd, 2018|

POR WOLNEY DIAS FERREIRA

A partir da Constituição de 1988, o arcabouço legal do nosso país deu um salto qualitativo. Um dos marcos importantes desse avanço foi a redefinição do Ministério Público, que assumiu o seu papel de fiscal da lei com autonomia e independência.

Passamos a tomar conhecimento com mais frequência de casos de corrupção em diferentes instâncias de poder e em variados níveis hierárquicos. A corrupção afeta as instituições políticas e sociais brasileiras desde as primeiras capitanias hereditárias. E, certamente, foi determinante na formação das oligarquias de poder, que ainda hoje obstruem o caminho para a formação de um país justo.

A decretação da prisão de 96 policiais militares acusados de envolvimento com criminosos faz parte desse novo contexto. Sem os instrumentos legais vigentes e sem os recursos tecnológicos de que dispomos hoje, dificilmente a bem-sucedida investigação iniciada há dois anos pela Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo teria alcançado o resultado obtido.

Dois fatores foram cruciais para o êxito na conclusão do inquérito. O primeiro foi a prisão do criminoso que concordou em fazer acordo de deleção premiada, ferramenta jurídica regulamentada recentemente. E o segundo fator foi a participação da Corregedoria da Polícia Militar, cujo trabalho foi relegado a segundo plano na cobertura da mídia sobre esse caso.

O delator descreveu a mecânica criminosa, fornecendo nomes, datas, horários e locais. Para garantir a comprovação dessa narrativa, a Corregedoria da PM passou a integrar o grupo responsável pelo inquérito. A Corregedoria forneceu fotos de todos os suspeitos para reconhecimento, levantou qual